TEXTO E TEXTUALIDADE


      1.      O que é um texto?

Maria Costa Val (1994), em seu livro Redação e Textualidade, aborda que para se melhor compreender o fenômeno da produção de texto escritos é necessário entender previamente o que caracteriza texto, escrito ou oral.
Pode-se definir texto ou discurso como ocorrência linguistica falada ou escrita, de qualquer extensão, dotada de unidade sociocomunicativa, semântica e formal.
Antes de mais nada, um texto é uma unidade de linguagem de uso. Tem papel determinante em sua produção e recepção uma série de fatores pragmáticos, tais como: as intenções do produtor; o jogo de imagens mentais e o espaço de perceptibilidade visual e acústica comum, na comunicação face a face.
A segunda propriedade básica de um texto é o fato de ele constituir uma unidade semântica. Uma ocorrência linguística precisa ser percebida pelo receptor como um todo significativo, coerente.
Finalmente, o texto se caracteriza por sua unidade formal, material. Seus constituintes linguísticos devem, se mostrar irreconhecivelmente integrados, de modo a permitir que ele seja percebido como um todo coeso.
Portanto, um texto será bem compreendido quando avaliado sob três aspectos:
a)      Pragmático, que tem a ver com seu funcionamento enquanto atuação informacional e comunicativa.
b)      O semântico conceitual, de que depende de sua coerência;
c)      O formal, que diz respeito à sua coesão.                                                                                     


2.      O que é textualidade

De acordo com a autora, chama-se de textualidade ao conjunto de características que fazem com que um texto seja um texto, e não apenas um sequencia de frases.
Beaugrande e Dressler (1983) apontam sete fatores responsáveis pela textualidade de um discurso qualquer; a coerência e a coesão, que se relacionam com o material conceitual linguístico do texto, e a intencionalidade, a aceitabilidade, a situcionalidade, a informatividade e a intertextualidade, que tem a ver com os fatores pragmático.

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2.1  Coerência e coesão

A coerência é considerada o fator fundamental da textualidade, porque é responsável pelo sentido do texto.
Envolve não somente aspectos lógicos e semânticos, mas também cognitivos, na medida em que depende do partilhar de conhecimentos entre interlocutores.  O seu sentido é construído não só pelo produtor como também pelo recebedor.
A coesão é a manifestação linguística da coerência. Responsável pela unidade formal do texto, constrói-se através de mecanismos gramaticais e lexicais.  
A coerência e a coesão têm em comum a característica de promover a inter- relação semântica entre os elementos do discurso respondendo pelo que se pode chamar de conectividade textual. A coerência diz respeito ao nexo entre os conceitos e a coesão, à expressão desse nexo no plano linguístico.
Para que um texto seja coerente e coeso ele necessita de certos requisitos como: a continuidade, a progressão, a não-contradição e a articulação. 
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      2.2  Os fatores pragmáticos da textualidade

A intencionalidade e a aceitabilidade, segundo Beaugrande e Dressler(1983) se referem aos protagonistas do ato de comunicação.
A intencionalidade concerne ao empenho do produtor em construir um discurso coerente, coeso e capaz de satisfaz os objetivos que tem em mente numa determinada situação comunicativa. A meta pode ser informar, ou impressionar, ou alarmar, ou converncer, ou pedir, etc., é ela que vai orientar a confecção do texto.
O outro lado da moeda é a aceitabilidade, que concerne à expectativa do recebedor de que o conjunto de ocorrências com que se defronta se um texto coerente, coeso, útil e relevante, capaz de levá-lo a adquirir conhecimentos ou a cooperar com os objtivos do produtor.
O terceiro fator de textualidade, segundo Beaugrande e Dressler(1983), é a situcionalidade, que diz respeito aos elementos responsáveis pela pertinência e relevância do texto quanto ao contexto que ocorre.
É importante para o produtor saber com que conhecimentos do recebedor ele pode contar e que, portanto, não precisa explicitar no seu discurso.
A conjugação desses três fatores de textualidade será a existência dos diversos tipos de discursos. Por exemplo: o que é qualidade num texto argumentativo formal poderá ser defeito num poema, ou numa estória de suspense, ou uma conversa de bar.
O interesse do recebedor pelo texto vai depender do grau de informatividade   de que o último é portador. Esse fator de textualidade apontado por  Beaugrande e Dressler(1983), diz respeito à medida na qual as ocorrências de um texto são esperadas ou não, conhecidas ou não, no plano conceitual e no formal. O ideal é o texto se manter num nível mediano de informatividade, no qual se alternam as ocorrências de processamento imediato, que falam do conhecido, com ocorências de processamento mais trabalhoso, que trazem novidade.
O texto com bom indice de informatividade precisa atender a outro requisito: a suficiência de dados. Isso significa, para Maria Costa Val (1994), que o texto tem que apresentar todas as informações necessárias para que seja compreendido com o sentido que o produtor pretende.
Um outro componete de textualidade apontado Beaugrande e Dressler(1983), é a intertextualidade, que concerne aos fatores que fazem a utilização de um texto dependente do conhecimento de outro(s) texto(s). Inúmeros textos só fazem sentido quando entendidos em relação a outros textos, que funcionam como seu contexto.

Costa Val, Maria da Graças. Redação e Textualidade/ Maria da Graças Val.- São Paulo: Martins Fontes,1994.- (texto e linguagem).

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